"A Academia Brasileira de Letras se compõe de 39 membros e 1 morto rotativo..."- Millôr Fernandes
sábado, 3 de dezembro de 2011
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
X Casais Inteligentes
I
Casais inteligentes enriquecem juntos e se tornam pais inteligentes que geram filhos inteligentes que crescem e formam casais inteligentes que geram mais filhos inteligentes. Tudo à luz de velas, entre um Nobel e outro.
II
Casais burros empobrecem juntos e geram mais filhos que os casais inteligentes. Estes filhos, por sua vez, não enriquecem e acabam morando no puxadinho dos pais. Mas conseguem utilizar os primos que moram no puxadinho de cima como fiadores das Casas Bahia.
III
Pessoas espertas buscam formar casais inteligentes se juntando a pessoas ricas. Pessoas tolas buscam formar casais inteligentes comprando livros sobre como formar casais inteligentes.
IV
Casais normais acreditam que podem se tornar casais inteligentes ganhando na Mega Sena da virada. Casais inteligentes sabem que Moreira Franco é o diretor de loterias da Caixa.
V
Não há casais inteligentes na Grécia.
VI
Casais inteligentes criam cães inteligentes que ganham o primeiro lugar na exposição. Os outros casais criam cães que latem.
VII
Casais tolos de sexos opostos sempre tentam desvendar as marcações no piso das plataformas do metrô do Rio que explicam qual é o carro das mulheres.
VIII
Casais inteligentes enriquecem juntos, mas amantes de casais inteligentes enriquecem mais ainda.
IX
Casais normais buscam filhos na porta da escola. Casais inteligentes buscam escolas na porta dos filhos.
X
Casais normais ajudam filhos nos trabalhos escolares. Casais inteligentes ensinam aos filhos o valor de ter um amiguinho filho de casal normal: além da ajuda adulta nos trabalhos escolares, ainda recebem lanchinho da tarde.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
As Fabulosas Fábulas de Auto-Ajuda que Não Deram Certo
A Importância da Comunicação
Certo dia, o sultão de um reino de difícil trânsito - devido a faixas exclusivas para camelos e dromedários - sonhou que havia perdido todos os dentes. Para desvendar o significado, convocou todos os adivinhos, oferecendo-lhes cem moedas de ouro como recompensa (as mesmas cem moedas que, sem que o Duque de... percebesse, haviam de fato sumido da sacola de couro da fábula anterior).
O primeiro adivinho apresentou-se diante do sultão como colaborador Bob, espalhou uma fumaça fedorenta pelo lugar, revirou os olhos e declarou:
- Majestade... cada dente perdido significa uma moeda de prata... da fada do dente... - disse pausadamente.
O sultão gostou da ideia, mandou chamar os guardas e ordenou que todos os dentes do adivinho fossem arrancados para reforçar o caixa 2 do reino.
O segundo adivinho adentrou o recinto, apresentou-se também como colaborador Bob, espalhou mais fumaça fedorenta pelo lugar, revirou os olhos, fez "hummmmmm" e disse:
- Majestade... cada dente perdido significa menos kafta e mais tabule! - concluiu.
O sultão gostou da ideia, chamou os guardas e ordenou que o adivinho fosse moído e sua carne transformada em suculenta kafta. Afinal, o sultão ainda possuía todos os dentes firmes e saudáveis.
O terceiro adivinho também se chamava colaborador Bob, empesteou o ambiente com a tal fumaça, revirou os olhos, fez "hummmmmm", colocou a mão na testa e disse:
- Majestade.... lamento dizer... cada dente caído significa uma pessoa amada que perderá...
O sultão surpreendeu-se com aquela insolente maldição conjurada, mandou chamar os guardas e ordenou que o adivinho fosse chicoteado tantas vezes até virar tabule. A interpretação anterior lhe soara melhor.
O quarto adivinho que - adivinhem! - se chamava colaborador Bob entrou tenso, mas confiante. Espalhou quatro vezes mais fumaça podre no recinto, revirou os olhos, fez "hummmmmm", colocou a mão na testa, sentou-se em posição de lótus, depois refez tudo pois errara a ordem das coisas, primeiro a fumaça, depois a posição de lótus, os olhos, o "hummmmmm" e, por fim, a mão na testa para dizer:
- Majestade! Grandes notícias! Vejo aqui que Vossa Majestade haverá de sobreviver a todos aqueles que ama!
O sultão sorriu. O rosto do adivinho transformou-se, demonstrando alívio. Em seguida, a alteza se levantou, aproximou-se do colaborador Bob, deu-lhe um beijo na cabeça e lhe sussurrou ao ouvido:
- Eu te amo...
Os guardas entraram, agarraram o colaborador Bob e o sultão ordenou que do adivinho fosse transformado em lentilha.
Um nobre que acompanhara a cena comentou:
- Majestade... não entendo. - disse, cuidadosamente. - A interpretação deste último adivinho foi a mesma do anterior, ele só tentou comunicar de uma forma positiva. Por que o fim acabou sendo o mesmo?
- É que eu estou com uma baita fome... - respondeu o sultão, abraçando o amigo, enquanto se dirigiam ao salão de refeições para almoçar. - E, como todos sabemos, o fim justifica os meios...
- É... - disse o nobre. - Mas, faltou a batata-frita...
Certo dia, o sultão de um reino de difícil trânsito - devido a faixas exclusivas para camelos e dromedários - sonhou que havia perdido todos os dentes. Para desvendar o significado, convocou todos os adivinhos, oferecendo-lhes cem moedas de ouro como recompensa (as mesmas cem moedas que, sem que o Duque de... percebesse, haviam de fato sumido da sacola de couro da fábula anterior).
O primeiro adivinho apresentou-se diante do sultão como colaborador Bob, espalhou uma fumaça fedorenta pelo lugar, revirou os olhos e declarou:
- Majestade... cada dente perdido significa uma moeda de prata... da fada do dente... - disse pausadamente.
O sultão gostou da ideia, mandou chamar os guardas e ordenou que todos os dentes do adivinho fossem arrancados para reforçar o caixa 2 do reino.
O segundo adivinho adentrou o recinto, apresentou-se também como colaborador Bob, espalhou mais fumaça fedorenta pelo lugar, revirou os olhos, fez "hummmmmm" e disse:
- Majestade... cada dente perdido significa menos kafta e mais tabule! - concluiu.
O sultão gostou da ideia, chamou os guardas e ordenou que o adivinho fosse moído e sua carne transformada em suculenta kafta. Afinal, o sultão ainda possuía todos os dentes firmes e saudáveis.
O terceiro adivinho também se chamava colaborador Bob, empesteou o ambiente com a tal fumaça, revirou os olhos, fez "hummmmmm", colocou a mão na testa e disse:
- Majestade.... lamento dizer... cada dente caído significa uma pessoa amada que perderá...
O sultão surpreendeu-se com aquela insolente maldição conjurada, mandou chamar os guardas e ordenou que o adivinho fosse chicoteado tantas vezes até virar tabule. A interpretação anterior lhe soara melhor.
O quarto adivinho que - adivinhem! - se chamava colaborador Bob entrou tenso, mas confiante. Espalhou quatro vezes mais fumaça podre no recinto, revirou os olhos, fez "hummmmmm", colocou a mão na testa, sentou-se em posição de lótus, depois refez tudo pois errara a ordem das coisas, primeiro a fumaça, depois a posição de lótus, os olhos, o "hummmmmm" e, por fim, a mão na testa para dizer:
- Majestade! Grandes notícias! Vejo aqui que Vossa Majestade haverá de sobreviver a todos aqueles que ama!
O sultão sorriu. O rosto do adivinho transformou-se, demonstrando alívio. Em seguida, a alteza se levantou, aproximou-se do colaborador Bob, deu-lhe um beijo na cabeça e lhe sussurrou ao ouvido:
- Eu te amo...
Os guardas entraram, agarraram o colaborador Bob e o sultão ordenou que do adivinho fosse transformado em lentilha.
Um nobre que acompanhara a cena comentou:
- Majestade... não entendo. - disse, cuidadosamente. - A interpretação deste último adivinho foi a mesma do anterior, ele só tentou comunicar de uma forma positiva. Por que o fim acabou sendo o mesmo?
- É que eu estou com uma baita fome... - respondeu o sultão, abraçando o amigo, enquanto se dirigiam ao salão de refeições para almoçar. - E, como todos sabemos, o fim justifica os meios...
- É... - disse o nobre. - Mas, faltou a batata-frita...
sábado, 15 de outubro de 2011
As Fabulosas Fábulas de Auto-Ajuda que Não Deram Certo
O Pobre Honesto
Diante do rei, apresentava-se o Duque de... que acusava o colaborador Bob de lhe ter furtado 100 moedas de ouro. O rei estava sentado no trono de pedra, ao alto de uma plataforma de 10 degraus, acompanhando atentamente a apresentação do caso pelo seu sobrinho mais novo.
- Majestade, - disse o Duque de... - como bem sabe, recentemente havia oferecido uma recompensa por quem encontrasse uma sacola de couro com 500 moedas de ouro...
O rei passou a apoiar o queixo com a mão direita, demonstrando sapiência, enquanto que a mão esquerda pendia do braço do trono, aparentemente sem vida, em sinal de clemência.
- Eis que, outro dia, apareceu na minha porta este senhor aqui... - continuou o duque, apontando com desdém para o cabisbaixo colaborador Bob, - ...pedindo recompensa por estar devolvendo minha sacola...
- E você confirma? - perguntou o rei pela primeira vez ao réu.
- S-sim, Majestade... - gaguejou o colaborador Bob.
- E onde você encontrara o dinheiro? - perguntou o rei.
- Esta é uma história muito longa, Majestade... - disse o réu. O rei fez sinal para prosseguir. - Venho de uma família muito pobre... Minha mãe morreu quando nasci, meu pai foi vítima da varíola quando tinha 3 anos. Separado dos meus irmãos, fui para o orfanato dirigido por uma ordem de cátaros. Quando os cátaros foram acusados de heresia, o orfanato foi invadido pelas tropas francesas e acabei mutilado... - disse, referindo-se aos dedos decepados da mão esquerda. - Acho que escapei por ter ficado escondido sob uma pilha de corpos. Depois, caminhei por terras devastadas em busca de comida. Um dia, tive um sonho, vi um duende escondendo uma sacola cheia de moedas de ouro e uma voz de Milton Nascimento que cantava: "Minha casa não é minha / e nem é meu este lugar / Estou só e não resisto, muito tenho prá falar / Solto a voz nas estradas, já não quero parar / Meu caminho é de pedras, como posso sonhar..." Cresci perambulando por essas estradas, quase sempre quando dormia sonhava com as moedas e ouvia a tal música cantada pelo Milton Nascimento. Um dia acordei, já homem feito, levantei-me e vi acima da névoa dos pastos as torres das igrejas deste reino. Para cá me dirigi e, quando caminhava nos fundos da taberna, encontrei esta sacola de ouro...
O Duque de... havia de fato oferecido uma recompensa pela sacola, aparentemente perdida numa noite de bebedeira com as prostitutas da taberna. Como os cartazes espalhados não especificavam a quantidade perdida, quando o colaborador Bob apresentou-se ao duque, apesar de ter conferido que o valor estava exato, o nobre viu ali a oportunidade de não oferecer recompensa alguma ao alegar que faltavam cem moedas. Os pensamentos do duque foram interrompidos por uma pergunta do rei.
- E por que não pagou a recompensa ao pobre rapaz? - perguntou o rei ao sobrinho.
- Porque, Majestade, observei que faltavam 100 moedas de ouro... - respondeu o nobre.
O rei ponderou em silêncio por alguns instantes. Depois, resumiu:
- Temos aqui o caso do Duque de... que perdeu uma sacola com quinhentas moedas de ouro. Este homem que se intitula colaborador Bob aparece um dia à porta do Duque devolvendo-lhe a sacola e reivindicando a recompensa. Eis que o Duque, antes de pagar o valor devido, decide contar quantas moedas havia e descobre que faltavam cem moedas.
- Correto - disse o Duque.
- Eu não peguei nada - defendeu-se o colaborador Bob.
- Tenho uma pergunta... - disse o rei, dirigindo-se ao sobrinho. Havia alguma identificação na sacola de couro?
- Não... - respondeu o Duque desconfiadamente.
Então, - disse o rei para o sobrinho, - ...esta sacola de couro não é sua! O Duque de... empalideceu, enquanto que o rosto do colaborador Bob se iluminou. - Continue a oferecer a recompensa até que a sacola seja encontrada... - sentenciou o rei.
- Mas... Majestade... - tentou argumentar o Duque de..., mas o rei não quis ouvi-lo. - Caso encerrado - completou o rei.
O colaborador Bob sentia-se radiante. Era o sonho de uma vida se realizando! Fez uma mesura desajeitada em agradecimento, pegou a sacola com as 500 moedas de ouro e, quando saía daquele salão, ouviu o rei gritar: "Guardas! Prendam este homem!"
A passagem foi obstruída por dois guardas com longas lanças. Sem compreender a situação, o colaborador Bob voltou-se para o rei que havia se erguido do trono e descia as escadas. - Esta sacola... - disse o rei, aproximando-se de Bob, - tampouco é tua! Trata-se de um tesouro real que acabaste de roubar... - explicou, tomando o dinheiro das mãos do atônito colaborador.
O colaborador Bob foi enforcado em praça pública, sob os olhares de centenas de aldeões. Suas últimas palavras foram: "Maldito Milton Nascimento..."
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